ÁUDIO E VÍDEO: CLUBES SÃO DENUNCIADOS POR MANTEREM JOGADORES TREINANDO DURANTE PANDEMIA

“Se isso se confirmar, é um crime contra a saúde pública e uma conduta antidesportiva”, disse o presidente do Pimentense 

Nos últimos dias, chegaram a redação, denúncias de que três clubes de futebol estariam descumprindo o Decreto do Governo do Estado de Rondônia que suspendeu todas os eventos, incluindo os esportivos, e proibiu a concentração de pessoas. Ao mesmo tempo, esses clubes, supostamente estariam contrariando as orientações da Federação de Futebol do Estado de Rondônia (FFER), que recomendou aos seus filiados que suspendessem todas as atividades, incluindo treinos.

De acordo com os denunciantes, União Cacoalense, Ji-Paraná e Real Ariquemes estariam mantendo uma rotina de treinamentos, contrariando as orientações das autoridades de saúde, do Governo Estadual e da própria Federação.

A FOLHA teve acesso a dois áudios, um deles atribuído a um integrante da comissão técnica do Ji-Paraná, e outro a um membro da diretoria do União Cacoalense. Em ambos, fica claro que os clubes estariam treinando. (ousa os áudios no rodapé desta matéria)

 

O QUE DIZEM OS DENUNCIADOS

A reportagem conversou com os presidentes dos clubes ainda na disputa do Campeonato Rondoniense, com exceção do presidente do Real Ariquemes, Chico Pinheiro, que até a publicação desta matéria, não respondeu as tentativas de contado.

 

JI-PARANÁ FUTEBOL CLUBE

No dia 08 deste mês, uma matéria publicada em um site da capital anunciava o retorno do Ji-Paraná aos trabalhos. Alguns torcedores da cidade que fica no coração do Estado, garantem que os treinos foram retomados. No entanto, o presidente do Ji-Paraná, José Carlos Vitor, garante que o clube suspendeu as atividades.

A reportagem teve acesso ainda a um áudio atribuído, supostamente, a um membro da comissão técnico do Ji-Paraná que alega que o clube estaria treinando normalmente.

 

José Carlos Vitor conversou com a reportagem da FOLHA e admitiu que o clube manteve uma rotina de treinos por algum tempo, mas depois a diretoria decidiu pela suspensão das atividades e liberação dos atletas. “Vínhamos mantendo os atletas com sessões de treinos funcionais três vezes por semana, mas dispensamos os jogadores. Meus dois últimos atletas chegaram em casa hoje (quarta-feira)”, garantiu o dirigente.

 

SOCIEDADE ESPORTIVA UNIÃO CACOALENSE

O presidente do União Cacoalense, Wesley Dias, que assumiu em entrevista a um canal no Youtube que seu time nunca parou de treinar (veja vídeo abaixo), disse à reportagem que o clube não descumpre o Decreto Governamental. Dias disse ainda que a federação apenas orienta os clubes, e não proíbe os treinos.

Link da entrevista na qual o presidente declara que o União não parou de treinar:

https://www.youtube.com/watch?v=TRhSBYMX_-k&t=7s 

Ao conversar com a reportagem, no entanto, Wesley Dias, afirmou que o clube tem respeitado a quarentena. “Nossos atletas estão, sim, de quarentena, só não liberamos eles para irem pra casa. Nosso grupo está todo em sua sede e fazendo algumas atividades no próprio alojamento”, assegurou o dirigente, antes de concluir: “Não liberamos porque pensamos na saúde dos atletas; saindo em viagem neste momento, eles correm mais riscos do que ficando aqui, onde dificilmente serão contaminados”, argumentou.

Sobre a entrevista na qual ele declara que “meu time não parou de treinar nem um dia”, o presidente do União Cacoalense disse que a declaração foi apenas para “preocupar os outros clubes”. “Eu dei uma entrevista e disse que estamos treinando e que vai ter um amistoso no final de semana (risos). Todos sabem que é impossível isso acontecer (risos). Foi só pros outros clubes ficarem preocupados”, disse.

Áudio atribuído a um suposto membro da diretoria do União Cacoalense:

 

O QUE DIZEM OS DEMAIS CLUBES

SPORT CLUBE GENUS

O Genus foi um dos primeiros a anunciar a dispensa dos jogadores. Ontem, seu presidente,  Evaldo Silva, reafirmou que o Aurigrená vem obedecendo rigorosamente às determinações da FFER que impôs aos clubes a suspensão das atividades, e do decreto do Governo do Estado que suspendeu os eventos, inclusive esportivos, e que proíbe  aglomerações.  “O Genus está desmotivado, os atletas foram orientados a permanecerem em suas casas, e o nosso treinador, via aplicativo de conversa, tem guiado os jogadores em exercícios que eles podem fazer no quintal, ou mesmo dentro de casa”.

Para Evaldo, seria uma irresponsabilidade manter os atletas treinando em um período de pandemia como este. “É colocar em risco a saúde de todos.”

O dirigente revelou que o Genus irá lançar nos próximos dias uma campanha de prevenção à Covid-19. Nosso lema é “Fique em casa, só saia se for produzir em prol da vida”.

 

CLUBE ATLÉTICO PIMENTENSE

O treinador e dirigente do Clube Atlético Pimentense, Eder Palmonari, assegurou que seus atletas oram liberados das atividades em grupo e orientados a buscarem meios de manterem a forma com atividades caseiras. “Da nossa parte, suspendemos todas as atividades imediatamente após o decreto. Os atletas buscam manter o condicionamento físico individualmente, cada um na sua casa”, afirmou.

Sobre a denúncia envolvendo clubes que supostamente estariam mantendo os treinamentos, Palmonari disse que: “Se isso se confirmar é um crime contra a saúde pública e uma conduta antidesportiva. E a Federação precisa tomar providências”, pontuou.

 

PORTO VELHO ESPORTE CLUBE

O Porto Velho, de acordo com os eu presidente Jeanderson Maranhão, tão logo saiu o decreto iniciou a dispensa do elenco. “Já estão todos em suas casas. E nós estamos aguardando o posicionamento das autoridades sanitárias e desportivas, somente após autorização dessas autoridades é que retomaremos os treinos”, garantiu o dirigente que declarou o seguinte sobre a denúncia de suposto burla do decreto governamental: “Sobre essa situação, prefiro não opinar, cada um sabe aonde o calo aperta e é responsável pelas suas atitudes”.

 

VILHENENSE ESPORTIVO CLUBE

O empresário Waldir Kurtz, presidente do Vilhenense, que está no grupo de dois dos denunciados, foi mais enfático ao falar das denúncias. “É no mínimo deslealdade em relação aos outros clubes, e se isso se confirmar merecem alguma punição. Isso é o mesmo que agir na calada da noite pra levar vantagem”, declarou.

 

O QUE DIZ A FEDERAÇÃO

A reportagem consultou o vice-presidente da Federação de Futebol do Estado de Rondônia (FFER), Natal Jacob, que explicou que a entidade somente pode tomar alguma medida se for oficiada, ou seja, caso algum torcedor formalize uma denúncia.

Fonte: Folha do Sul